Amâncio nasceu no Maranhão, mas tinha a grande aspiração de morar no Rio de Janeiro. E embora a narrativa se inicie com ele chegando na cidade maravilhosa e pronto para desfrutar tudo o que sua condição social e econômica lhe garantindo, o Maranhão tem uma importância enorme para a formação do jovem. É lá que Amâncio vive seus primeiros anos, é lá onde aprende as primeiras letras e é lá que a agressividade castradora de seu pai junto com a benevolência cega de sua mãe moldam o caráter frouxo e indolente que guiam o jovem em seus atos.
Embora o romance se inicie no momento da chegada de Amâncio no Rio de Janeiro, logo em seguida as lembranças de sua infância são desenvolvidas pelo narrador. Essa é uma técnica utilizada na narrativa como forma de contextualização do leitor a respeito do personagem que ocupará o papel de protagonista do enredo. Dentro do naturalismo, tal ferramenta é essencial, uma vez que essa recuperação das memórias infantis servirão como justificativa para a formação, ou deformação, de caráter do rapaz. De certa forma, a ênfase dada no impacto da criação por um pai repressor e punitivo e por uma mãe tão benevolente que beira a conivência, juntamente com o contato frustrante e agressivo com o professor de sua educação básica, acaba por tentar isentar Amâncio da responsabilidade direta por seus erros. Assim, o narrador se esforça em buscar demonstrar que Amâncio é, na verdade, fruto do seu meio.