Casa de Pensão é um dos produtos mais bem acabados do que se chamou de romance-tese, muito comum na estética naturalista. Nesse tipo de narrativa, busca-se provar um ponto de vista, geralmente que restringe o destino dos personagens a algo para o qual já estão fadados por elementos externos à sua vontade.
Narrado em terceira pessoa por um narrador onisciente que não esconde a predileção pelo protagonista, Casa de Pensão inicia com a chegada do jovem maranhense Amâncio Vasconcelos ao Rio De Janeiro. Oficialmente, ele se muda no intuito de estudar medicina na Corte, entretanto pretende deixar-se levar pelos encantos da boemia carioca também. Chegando à cidade, Amâncio procura o Sr. Luís Campos, comerciante, amigo de seu pai, que lhe oferece pouso por ter uma dívida de gratidão com o pai de Amâncio. O Sr. Campos era casado com D. Maria Hortênsia, que não se mostra muito à vontade com a chegada do menino à sua casa, mas que acaba aceitando a decisão do marido.
Embora fosse mais econômico, Amâncio não se mostra muito satisfeito com o fato de se hospedar na casa da família, pois ele foi para a Capital com o sonho de também viver a noite, as mulheres, de aproveitar plenamente os seus 20 anos. E isso não era possível na casa de Campos, um homem de vida bastante correta e modesta. O Maranhense, num primeiro momento, se interessa por Hortênsia, começando a revelar seu caráter libidinoso. Ela, entretanto, segue ignorando-o e incomodando-se com a presença do rapaz em casa.
Sobre o perfil libidinoso, o narrador faz uma contextualização (como um flashback) da trajetória de Amâncio na infância, de acordo com os valores naturalistas, justificando tal comportamento. Ao longo do capítulo II encontramos tal preleção, em que ele apanhava do pai na infância e tinha uma aparência frágil. Na escola, ele parecia soltar toda a repressão de casa. Até que um dia ele bate num menino. O seu professor, Sr. Pires, bate em Amâncio e ainda diz para o menino que apanhara também bater no seu algoz. Amâncio não aceita a vingança e discute com o professor, dando-lhe uma bofetada. Além de apanhar na escola, ao chegar em casa, ele também apanha do pai. Este acontecimento faz com que Amâncio se torne medroso, apesar das carícias, cuidados e proteção da mãe, D. Ângela (ou talvez por isso mesmo). A receita de um pai violento e uma mãe permissiva, dentro da lógica naturalista, propiciam o caráter degenerado de Amâncio.
Então, no Rio de Janeiro, Amâncio sentia-se só até encontrar um colega (nem tão íntimo) do Maranhão, Paiva Rocha. Eles se encontram na rua, e Amâncio o convida para almoçar. No caminho do Hotel dos príncipes, os dois encontram dois amigos de Paiva Rocha, Salustiano Simões e João Coqueiro, que se juntam no almoço. Amâncio mostra-se maravilhado com a vida na Corte, com o almoço, com o cardápio em francês. E não economiza neste primeiro almoço, pagando a conta para todos. João Coqueiro, ao fim da refeição, convida Amâncio para visitá-lo. Entretanto, ele é levado, já bêbado, por Paiva Rocha (que também lhe pede dinheiro) para a sua república, onde Amâncio vomita e passa a noite. No dia seguinte, o ambiente degradado marca o jovem maranhense. Ao sair ele encontra uma empregada e tenta agarrá-la, sendo repelido.
Amâncio mostra-se confuso, pois não queria permanecer na “prisão” da casa de Campos, mas, como sentia-se atraído por D. Hortênsia, pensava em ficar por lá. Ainda, não achava que uma república de estudantes como a de Paiva Rocha era um lugar adequado, porque não tinha o “glamour” que acreditava merecer. Ao chegar na casa da família de Campos, pela manhã, Amâncio encontra uma carta de João Coqueiro, convidando-o a visitá-lo. Ele vai.
João Coqueiro era filho de uma rica senhora que se casara com um homem devasso e desregrado, que batia em João Coqueiro, fazia-o comer e até mesmo beber, para torná-lo homem de verdade (!). Esses fatos biográficos de Coqueiro, apresentados em flashback, também se enquadram na tese naturalista de justificar as ações dos personagens como moldadas pelos eventos da história de cada um, como se fossem incapazes de agir no presente senão pelo que foram moldados de forma inequívoca no passado.
Com a morte do pai, a mãe abre uma casa de pensão, mas ela também morre em seguida. João Coqueiro e Amélia, sua irmã, vão morar, então, com uma amiga da família, Madame Brizard, mulher de 50 anos. Com a convivência, João Coqueiro e Mme. Brizard decidem se casar e reabrir a casa de pensão que fora da mãe do moço.
João Coqueiro, após conhecer Amâncio, comenta com a esposa que possivelmente encontrara um marido para a irmã, já com 23 anos. A menina, informada por Mme. Brizard, concorda com a possibilidade. E os três arquitetam um plano para enredar Amâncio e aproveitarem-se das finanças dele.
Assim, Amâncio vai à casa de João Coqueiro. Lá, ele conhece a família, mais os filhos de Mme. Brizard, o menino César e Nini, mulher com problemas mentais/emocionais; e os moradores da pensão, com destaque para o casal Lúcia e Pereira. João Coqueiro mostra as vantagens de viver ali (comida, lanches, carinho) e mostra ainda um quarto de “honra” que seria dele. Amâncio decide aceitar a oferta e, já naquela noite, dorme ali. Ao acordar, ele agarra o braço de uma menina que trabalhava como camareira. Enquanto isso, Mme. Brizard combinava a estratégia de Amélia: ela tinha que parecer tímida ao rapaz, despertando-lhe o interesse.
Já na pensão, Amâncio se torna um alvo de Lúcia, que começava a pensar em seduzir o rapaz, visto que o ele tinha dinheiro e ela não sentia absolutamente nada por seu “marido”, Pereira. Com a convivência na pensão, Amâncio acaba se tornando relapso nos estudos e sentindo-se culpado por isso.
É quando Amâncio cai doente: bexiga (varíola). Os hóspedes ficam com medo e começam a deixar a pensão, mas Lúcia mostra-se amiga do convalescente, para desespero de João Coqueiro e da esposa, que veem nela uma concorrente à fortuna. Pensando em se livrar de Lúcia, o casal de proprietários cobra o dinheiro devido dos inquilinos, mas ela consegue com Amâncio a quantia solicitada. Amâncio quer transar com Lúcia, mas ela diz que só o faria se ele a tirasse de seu marido e a assumisse. Apesar de saldar a conta, Lúcia e seu marido saem da casa, após ela alertar Amâncio sobre a possível exploração dele que João Coqueiro e família planejavam.
Neste ínterim, também Amélia cuida de Amâncio, mas a pensão começa a perder seus hóspedes devido à doença de Amâncio, e ele começa a sustentar a casa. E quando ele pensa em sair da casa, Amélia diz amá-lo. Assim, os dois começam a relacionar-se. Para Amélia e Coqueiro, estão a um passo do casamento. Já Amâncio, vê como a sorte grande de tê-la ao alcance das mãos, ainda que sem obrigações de corteja-la publicamente.
Em função das sequelas de sua doença, o médico sugere que Amâncio saia do centro da cidade. Amélia, vendo a oportunidade, escolhe um sobrado em Santa Teresa e exige que o amante compre-o para ela. Apesar da relutância dele, Amélia argumenta insistentemente pelo imóvel. Assim, em pouco tempo, Amâncio acaba indo para Santa Teresa, com a sua nova família, é claro. Lá, ele passa a ter uma vida de homem casado com Amélia, com a conivência de João Coqueiro, que fingia não ver o que se passava.
Este fingimento aumenta quando Amâncio perde seu pai e herda sua parte da herança. Aproveitando-se na ocasião, a família Coqueiro explora Amâncio em tudo que pode, de contas fixas da casa, a vestidos e joias para Amélia. Por esta época, Amâncio é aprovado nos testes do primeiro ano da faculdade (não sem muito sofrer) e, numa festa oferecida na casa de Campos, em comemoração do fato, ele tenta agarrar D. Hortênsia, mas esta recua.
Como Amâncio não havia ainda visitado a mãe desde a morte do pai, D. Ângela lhe escreve, pedindo uma visita, mas Amélia se impõe e não o deixa partir, dizendo que ela poderia ir junto, após o casamento. Amâncio recua, a vida de homem casado o oprime e ele já não estava mais tão empolgado com a convivência marital que tinha com Amélia.
Ainda, a recusa de Hortênsia no dia do baile animou novamente os ânimos do protagonista por novas conquistas libidinosas. Por esta época, Amâncio escreve uma carta se declarando a D. Hortênsia, mas Amélia a encontra e mostra ao seu irmão, que, com medo de perder o fiador, diz que tomará providências. Durante uma discussão sobre a viagem, Amâncio chama a família de filantes e pensa em partir sem comunicá-los. Entretanto, João Coqueiro já havia se preparado para isto.
Amâncio prepara as coisas da partida em segredo, auxiliado e estimulado por Paiva Rocha, dizendo, entretanto, a Amélia que havia desistido. Essa comunicação levanta uma bandeira de paz para o casal, que volta a ter momentos amorosos como do início.
No dia de embarcar escondido para o Maranhão, porém, quando Amâncio desembarca no cais, é detido pela polícia, acusado por João Coqueiro de ter violentado sua irmã. Com o fato, o Sr. Campos pensa em defendê-lo e movimenta ações e pessoas para isso. Mas, Coqueiro, sabendo de tal movimento de Campos, entrega-lhe a carta que Amâncio escrevera para sua esposa e que fora subtraída por Amélia.
Apesar das testemunhas falsas, Amâncio é absolvido do crime. João Coqueiro, então, passa a ser chacoteado por estudantes, que o acusavam de exploração, de viver na casa que de Amâncio. Desesperado com a pressão de Mme. Brizard e humilhado com a situação, João Coqueiro procura Amâncio num quarto de hotel e o mata enquanto dormia depois da farra em comemoração à absolvição.
Ironicamente, aqueles que apoiavam Amâncio durante o processo, automaticamente passam a simpatizar com a ação de João Coqueiro.
O romance acaba com a chegada de D. Ângela ao Rio de Janeiro e a descoberta por parte desta da morte de seu filho.
Enredo em tópicos da ação e desenvolvimento dos capítulos do livro. Contém uma quantidade absurda de spoilers.
Amâncio, recém chegado do Maranhão à capital, procura Campos para apresentar-se, recomendado por seu pai;
Campos convida o rapaz para hospedar-se em sua casa provisoriamente, enquanto procura uma habitação mais adequada;
Amâncio janta com a família de Campos, conhecendo Carlotinha e Dona Hortênsia, sentindo-se atraído pelas duas, mais por esta do que por aquela.
Amâncio sente pesar em abandonar a vida de hotel;
A Corte (Rio de Janeiro) é comparada a Paris no pensamento do jovem. Para Amâncio, tanto fazia o que estudava na capital, pois o objetivo era estar ali e desfrutar dos prazeres de uma vida cosmopolita, longe do domínio de seu pai, e não seu futuro;
Idealização da vida boêmia e das leituras de cunho romântico;
Flashback para o início da vida escolar de Amâncio, com ênfase no professor Antônio Pires e na repulsa que o jovem sente aos estudos (motivada também pela cena em que foi punido fisicamente por ter reagido a uma ofensa grave)
No flashback, ocorre a apresentação dos pais de Amâncio, Vasconcelos e D. Ângela, da ama de leite do menino e do próprio protagonista quando criança e adolescente.
Graças à pressão feita por Campos, Amâncio matricula-se em Medicina, curso que o jovem fará com foco no título e não na carreira;
Inicia-se a vida de Amâncio no Rio de Janeiro
Amâncio encontra Paiva Rocha, um coprovinciano, e é apresentado a novas amizades: um tal de Simões, e João Coqueiro.
Para convencer os jovens a passarem mais tempo com ele, Amâncio convida-os a almoçar (e pagar as despesas, naturalmente), no Hotel dos Príncipes;
Já no final do almoço, os jovens testemunham uma súbita e violenta cena passional de ciúmes, com direito à quebradeira;
Paiva pede dinheiro emprestado à Amâncio, que cede de bom grado.
Após uma tarde agradável regada a muita bebida e comida, o verso da moeda: Amâncio fica de ressaca na república onde Paiva Rocha mora, um lugar decadente, miserável e cheio de repugnâncias;
Ao sair da república, Amâncio encontra uma jovem moça portuguesa e a beija à força;
Flashbacks que mostram o despertar da sensualidade e voluptuosidade no rapaz: quarto da goma, lugar da casa paterna onde passava longas horas quando criança, para fugir do pai e se aproximar das jovens mucamas;
Amâncio decide abandonar a casa de Campos e buscar um lugar que lhe dê a liberdade almejada para viver suas aventuras;
Amâncio recebe um convite para almoçar na casa de Coqueiro.
Pausa na narrativa para a apresentação pormenorizada de João Coqueiro;
A infância de Coqueiro, menino tímido e sensível, foi marcada pela presença abusiva e violenta de seu pai, Lourenço;
Apresentação da irmã mais nova de Coqueiro, Amélia, que sempre contou com o zelo e supervisão do irmão;
Narração da morte de Lourenço e, pouco tempo depois, da mãe de Coqueiro e Amélia, o que deixou os irmãos em sérios problemas financeiros. Coqueiro decidiu abandonar os estudos, que tanto gostava, para sustentar a irmã;
Os dois alugam a casa que herdaram da mãe e vão morar no pensionato de Madame Brizard, senhora duas vezes viúva e mais velha, que, sentindo um carinho maternal por Coqueiro, propõe um casamento de interesse entre os dois;
Retorno ao tempo da narrativa, mostrando a prosperidade da casa de pensão de Mme Brizard, com descrição pormenorizada da estrutura do lugar;
Apresentação dos filhos de Mme Brizard que moram com ela: Nini e César;
Coqueiro e Mme Brizard começam a pensar no futuro de Amélia, aspirando a um casamento entre ela e Amâncio;
Amâncio vai almoçar no pensionato, conhecendo, assim, Amelinha, que se preparou e vestiu para a ocasião, impressionando o jovem;
Coqueiro faz um tour pelas instalações com Amâncio, buscando convencê-lo a se hospedar ali, porém o que o convence a ficar são os encantos de Amelinha;
Amâncio senta-se à mesa com Brizard, Coqueiro, Amélia, Lúcia, seu esposo, Lambertosa e César, para a refeição;
Descrição física de Lúcia, a quem Amâncio inicialmente julga feia e esquisita;
Apresentação de Nini através das palavras de sua mãe e também por conta de uma aparição desastrosa da moça;
Conversas entre os convivas a respeito de tratamentos medicinais da época, em um traço de Cientificismo na narrativa, e sobre a cultura romântica;
Explosão de raiva de Coqueiro durante uma discussão a respeito de poesia e escritores;
Identificação entre Amâncio e Lúcia, a quem começa a achar interessante e atrativa;
Amâncio passa a noite no pensionato e adormece escutando Coqueiro declamar-lhe versos autorais.
Amâncio sonha e delira com os seres que recém conhecera
Amâncio aproxima-se abusivamente da escrava da casa (pressuposição de abuso sexual, porém o livro não confirma a hipótese)
Amâncio e Hortênsia conversam sobre a saída do jovem de sua casa, e ele interpreta a gentileza da senhora como interesse. Amâncio flerta com Hortênsia, que percebe;
Amâncio se muda para a casa de Mme Brizard e se prepara para seu primeiro baile na Corte;
Amélia e Amâncio iniciam um jogo de sedução.
Narração do baile na Corte, com enfoque nas habilidades de dançar valsa demonstradas por Amâncio, que logo o fazem ser cobiçado pelas mulheres presentes;
Amâncio insiste tanto para que Hortênsia dance com ele, que ela cede.
A cena da dança entre os dois é ambígua e sexualizada de tal forma que se aproxima da descrição de um ato sexual;
Hortêsia, ao final da dança, sente-se envergonhada e exausta. Campos não parece ter notado nada de anormal;
Amâncio termina a noite considerando que, se até Hortênsia havia se dado àquilo, as mulheres não são dignas de confiança.
Amâncio sonha com uma miríade de mulheres desfilando em sua frente de maneira ameaçadora;
Amâncio, ao acordar, recebe um buquê de flores de uma admiradora secreta, que julga ser Hortênsia, mas, na verdade, é Lúcia;
Lambertosa disserta sobre os supostos poderes curativos que o casamento teria para Nini;
Nini encurrala Amâncio em um corredor deserto e tenta beijá-lo à força. Ele se desespera e a afasta brutalmente, fazendo-a cair no chão;
Apresentação do personagem de Lúcia, com pormenores sobre seu passado e seu casamento com Pereira, dando ênfase à sexualização precoce dessa mulher e suas desventuras amorosas até terminar com o atual marido, em um golpe do baú frustrado;
Amâncio flagra, de madrugada, um dos quartos da pensão sendo utilizados para encontros sexuais, e espia no andar superior os outros hóspedes, testemunhando também uma briga entre Paula Campos e Catarina;
Após o escândalo na noite passada, Catarina e Mme Brizard entram em uma briga física, Tavares as separa com um discurso prolixo;
Amâncio se oferece para trocar de quarto com o guarda-livros, que vinha se irritando com os barulhos e tosses do tísico. Amâncio quer, com isso, ficar mais próximo do quarto de Lúcia;
Amâncio tenta convencer Coqueiro a livrar-se de Nini, mandando-a a um sanatório;
Amâncio recebe uma carta de Vasconcelos e outra de Ângela. O pai é afetuoso pela primeira vez com o filho e pede que ele escreva mais a mãe, que sofre com sua ausência. Ele faz planos de ser afetuoso com seu pai em breve;
Campos convida o jovem para comemorar seu aniversário de casamento em um jantar;
Amâncio se lembra que está matriculado no curso de medicina e que deve estudar;
No jantar em casa de Campos, Carlotinha, que já não está mais noiva, começa a se aproximar de Amâncio;
De madrugada, no pensionato, Amâncio flagra João Coqueiro indo para o quarto da escrava da casa;
Amâncio cai doente de bexigas (catapora) e Amelinha passa a cuidar dele o tempo todo, sem trégua. Lúcia consegue entrar no quarto do rapaz à noite, também para cuidar dele. Amâncio, mesmo muito doente, tenta beijar Lúcia sofregamente;
Por causa da doença transmissível de Amâncio, vários hóspedes abandonam o pensionato, o que faz o zelo de Amelinha sobre o rapaz aumentar;
O estado de saúde de Nini piora, por isso Brizard e Coqueiro decidem interná-la em um hospício;
Lúcia é surpreendida por Coqueiro ao cuidar de Amâncio de madrugada. Coqueiro e Brizard decidem cobrar a dívida de Lúcia, para que ela saia da casa;
Amâncio começa a ver Amelinha como uma irmã querida.
Lúcia conta “a contragosto” sobre sua dívida e Amâncio quita suas pendências;
Lúcia tenta convencer Amâncio a fugirem juntos;
Coqueiro revela a Amâncio que Lúcia está o manipulando;
Lúcia e Brizard brigam fisicamente e Lúcia é expulsa da casa de pensão;
Lúcia e Amâncio se beijam e ela deixa a pensão com seu marido-bolha, o Pereira.
Brizard e Coqueiro esperam que o investimento na doença de Amâncio se pague;
Amâncio se enfada da casa de Mme Brizard e, aconselhado pelo médico, decide mudar de ares;
Nini sofre um acidente na escada e passa a ficar presa no quarto;
Amélia, desesperada diante da possibilidade de Amâncio partir, declara seu “amor” por ele.
Em um espetáculo grotesco, o tísico do 7 falece;
Nini é internada na casa de saúde do Dr. Eiras;
Amâncio de muda para Santa Teresa e, com ele, vão os Brizard-Coqueiro e mais alguns hóspedes da casa de pensão;
Em Santa Teresa, os cuidados e mimos que Amelinha fazia a Amâncio se intensificam, quase como se ela fosse sua esposa, o que aumenta o controle dela e de Coqueiro sobre o rapaz;
Por acaso, Amâncio encontra Paiva Rocha, que lhe abre os olhos sobre a “Amélia dos Camarões” e seu irmão;
Amâncio vai visitar Lúcia em sua nova morada. Esta tenta manipulá-lo para salvá-la da miséria, aquele tenta avançar e conseguir favores sexuais da senhora. Ela se irrita e os dois rompem relações;
Amelinha se entrega a Amâncio e os dois passam a viver uma vida de casados sem casamento;
Amâncio começa a assumir mais responsabilidades financeiras com a amante e com a família da amante;
Amâncio precisa fazer os exames do primeiro ano do curso de Medicina, porém a notícia do falecimento de seu pai o abala;
Amélia passa a exigir presentes cada vez mais caros, consegue que Amâncio lhe compre uma casa;
Amâncio sofre por causa do teste, mas passa nos exames do curso e matricula-se no segundo ano de medicina;
Campos oferece uma festa em sua casa para homenagear o futuro médico;
Amâncio beija Hortênsia à força, e ela o repele e ele se enraivece.
Amâncio recebe uma carta de sua mãe, que lhe cobra uma visita no Maranhão;
Amélia tenta impedir a viagem de Amâncio, por ciúmes e insegurança;
Amâncio escreve uma carta apaixonada à Hortênsia, mas não envia. A carta é encontrada por Amélia, que entrega a Coqueiro.
A antiga casa de pensão de Mme Brizard, administrada por terceiros, vai tornando-se um cortiço;
Amâncio escreve uma nova carta a Hortênsia que, ao receber, ameaça de entregá-la ao marido se o jovem continuasse;
O jovem decide ir visitar sua mãe no Maranhão e aproveitar de sua fama por lá, apesar das chantagens emocionais de Amélia;
Amâncio finge desistir do plano, e Coqueiro fica cismado.
Coqueiro passa a seguir Amâncio, que descobre os planos que o rapaz havia feito com Paiva Rocha para fugir do Rio e voltar ao Maranhão;
Amâncio é interceptado a caminho do porto;
Por trás das cenas, Coqueiro havia procurado o Dr. Telles para denunciar Amâncio à polícia, alegando que o maranhense havia estuprado sua irmã;
Amâncio vai a julgamento e Coqueiro e Telles apresentam testemunhas falsas;
Amâncio alega que Amelinha o instigou e seduziu.
Campos se enraive-se com a situação na qual se encontra Amâncio e Hortênsia sente-se atraída pelo jovem “mártir do amor”;
O julgamento do rapaz atrai a atenção da imprensa e da opinião pública, causando grande comoção entre estudantes universitários, que tomam partido ou de Amâncio, ou de Coqueiro;
Coqueiro envia a carta que Amélia interceptou para Campos, que renega o conterrâneo;
Hortênsia considera que ela foi a culpada por Amâncio ter seduzido Amélia;
Campos envia uma carta severa a Amâncio, cortando relações;
Hortênsia envia uma carta a Amâncio, revelando arrependimento e adoração pelo rapaz;
Na cadeia, Amâncio chora ao lembrar da mãe.
Corte temporal de três meses;
Amâncio é absolvido e seu cortejo de liberdade é acompanhado por uma miríade de estudantes festivos, senhores curiosos, donzelas e senhoras impressionadas e enamoradas pela figura trágica do rapaz;
No Hotel Paris acontece uma festa regada a muito álcool para comemorar a soltura do rapaz;
Enquanto isso, Coqueiro sente-se humilhado e é reconhecido como o cafetão da própria irmã. A família toda encontra-se num clima fúnebre e desesperado. As marcas da decadência e da pobreza se fazem sentir e anunciar;
Coqueiro considera o suicídio, mas é interrompido por um grupo de amigos de Amâncio que lhe apedrejam as janelas enquanto gritam impropérios;
Coqueiro sai de casa resoluto e vai ao Hotel Paris, onde invade o quarto em que Amâncio passou a noite com uma prostituta francesa;
Coqueiro alveja Amâncio a queima roupa. Este morre chamando pela mãe.
Coqueiro é preso;
O assassinato de Amâncio atrai uma multidão de curiosos, entre os quais alguns antigos hóspedes de Mme Brizard;
Hortênsia desmaia ao saber da notícia e Campos vai procurar Coqueiro, para oferecer-lhe ajuda;
O funeral de Amâncio atrai multidões e pessoas importantes;
A opinião pública sobre Coqueiro parece modificar-se;
Após o enterro, Dona Ângela, sem saber do destino de seu filho, chega no Rio de Janeiro para procurá-lo e ajudá-lo com o julgamento;
Ao andar pelas ruas do comércio, D. Ângela percebe o nome do filho em todas as vitrines;
Ao ver um retrato do corpo de seu filho no necrotério exposto em uma vitrine, Dona Ângela compreende o que aconteceu com ele e cai, com um grito, na calçada.