“Fazia-se grande conhecedor da Corte, muito carioca, saboreando voluptuosamente o efeito da pasmaceira que a sua superioridade causava no amigo. Deu-se logo ares de cicerone; mostrou-se habituadíssimo com tudo aquilo que pudesse causar admiração a um provinciano recém-chegado; fingiu desdém por umas tantas coisas, que à primeira vista pareciam boas e falou de outras, menos conhecidas, com entusiasmo, com interesse pessoal e com orgulho".
Paiva Rocha, estudante da Escola Politécnica, é um antigo conhecido Amâncio, ainda do Maranhão, que vive uma vida boêmia e bastante pobre no Rio. Quando os dois se encontram e Amâncio se mostra generoso, Paiva Rocha imediatamente se interessa em apresentar ao colega recém chegado as maravilhas da vida na corte. Como bon vivant que é, o moço sabe onde são os melhores lugares para comer e beber. Em sua primeira aparição no livro, ele assume um papel iniciático na vida carioca de Amâncio, como um verdadeiro cicerone.
Suas aparições na narrativa são marcadas por conselhos de jovem boêmio e pela tentativa de abrir os olhos de Amâncio em relação aos interesseiros em sua vida (a exceção dele próprio, obviamente).
“mostrava-se extremamente empenhado nos interesses do colega: dava-lhe conselhos; havia de abrir-lhe os olhos, indicar-lhe o verdadeiro caminho a seguir [...] “E parecia querer provar que os seus direitos sobre o comprovinciano eram muito mais legítimos que os dos outros dois; que Amâncio lhe pertencia quase exclusivamente, como um tesouro, como uma fortuna que se traz do berço. E para deixar isso bem patente, fazia-se muito íntimo com ele: batia-lhe nas pernas; evocava recordações; lembrava-lhes as correrias da província".