O lugar para se estar, a Paris brasileira, a cidade onde os sonhos mais lúbricos se realizam, na cabeça de Amâncio, né? Rio de Janeiro era, para o jovem "interiorano" do Maranhão, a terra prometida, a cidade que fervilhava de gente e de vida, a promessa de independência e liberdade.
No próprio pensamento do rapaz, o que importava a ele era a liberdade que estar longe da casa paterna, e, portanto, do pai, simbolizava. Ele sonhava com todos os prazeres carnais possíveis e via, no Rio, a possibilidade da realização deles. É verdade que Amâncio foi ao Rio estudar medicina, mas, tanto fazia o que iria estudar. Ele queria ser "doutor" e estar no Rio de Janeiro. Medicina apenas coube nessa conta.
“Há muito tempo ardia de impaciência por tal viagem: pensara nisso todos os dias; fizera cálculos, imaginara futuras felicidades. Queria teatros bufos, ceias ruidosas ao lado de francesas, passeios fora de horas, a carro, pelos arrabaldes. Seu espírito, excessivamente romântico, como o de todo maranhense nessas condições, pedia uma grande cidade, velha, cheia de ruas tenebrosas, cheias de mistérios, de hotéis, de casas de jogo, de lugares suspeitos e de mulheres caprichosas; fidalgas encantadoras e libertinas, capazes de tudo, por um momento de gozo. E Amâncio sentia necessidade de dar começo àquela existência que encontrara nas páginas de mil romances. Todo ele reclamava amores perigosos, segredos de alcova e loucuras de paixão.”
“[...]Por isto estimou deveras ter de seguir para o Rio de Janeiro. A Corte era "um Paris", diziam na província, e ele, por conseguinte, havia de lá encontrar boas aventuras, cenas imprevistas, impressões novas e amores, — oh! amores principalmente! [...] Mas, já não queria pensar nesses amores da província; tudo isso agora se lhe afigurava ridículo e acanhado. A Corte, sim! é que lhe havia de proporcionar boas conquistas. ‘Ia principiar a vida!!’”