“Era de altura regular, compleição ética, rosto comprido, de um moreno embaciado, pouca barba, pescoço magro , nariz agudo, mãos pálidas e secas, voz doce e cabelo muito crespo, de colorido incerto, entre castanho e fulvo. Tinha vinte e sete anos, mas aparentava, quando muito, vinte e dois.”
Amâncio e Coqueiro se conhecem por intermédio de Paiva Rocha, e ele demonstra um "cuidado" instantâneo com o maranhense. Amâncio, inclusive estranha, num primeiro momento, a insistência de Coqueiro em levá-lo a conhecer a casa/pensão e a própria família. Tal cuidado tem, evidentemente, interesses por trás.
João Coqueiro não é tratado pelo narrador como alguém que tenha virtudes ou qualidades admiráveis. Na verdade, no capítulo V, o narrador retoma a história da infância e da família de Coqueiro, que, pela lógica da estética naturalistas, é determinando no destino deste. Assim, ficamos sabendo que Janjão, assim como Amâncio, também teve um pai muito violento e uma mãe permissiva. Entretanto, ao contrário de Amâncio, a personalidade de Janjão era muito mais passiva, dócil, respeitador das regras e das pessoas. O pai só passa admirar João Coqueiro quando ele entra no internato e começa a ter boas notas e ser elogiado pelos mestres.
Mas, ao mesmo tempo, a família abastada começa a passar por dificuldades. O pai de João e Amélia morre e a mãe, endividada, vende os imóveis e na casa com mais cômodos, começa a admitir hóspedes para pagar as contas. E pouco tempo, o sobrado da viúva era uma das mais respeitadas e estimadas casas de pensão do Rio de Janeiro. João termina seus estudos básicos e entra na escola politécnica, Amélia, que cresce no ambiente da pensão, respeita-o como pai. A morte da mãe deles, entretanto, frustra os planos de estudos de Janjão. É preciso começar a trabalhar para manter a si e à irmã.
O casamento "arranjado" com Mme. Brizard fez com que reabrissem a casa de pensão anterior, no sobrado da família Coqueiro, e João voltasse a estudar.
É nesse contexto em que Janjão conhece Amâncio e enxerga nele uma chance para um bom casamento para Amélia. Tal possibilidade vira uma fixação para ele, não medindo esforços para que tudo saia conforme ele planeja. Quando se mudam para Santa Teresa, com Amâncio e Amélia vivendo maritalmente e o provinciano bancando todas as despesas da casa, João relaxa, considerando que seu projeto já está de todo consumado. Todavia, preocupa-se por Amélia ainda não estar grávida, uma vez que isso seria a prova final para forçar Amâncio ao casamento, consumando legalmente o que já acontecia de fato.
É quando o as coisas começam a dar errado, com o interesse de Amâncio por Hortênsia e a insistência dele em voltar ao Maranhão, que João Coqueiro começa a se desesperar, prevendo que as coisas não sairiam como ele havia planejado. Assim, denuncia Amâncio, que é preso e vai a julgamento.
A absolvição dele e a vergonha pública pela qual passa Coqueiro reacendem, de acordo com a lógica naturalista, as humilhações paternas da infância. Assim, para esse narrador, o ímpeto violento de Coqueiro, ao disparar muitas vezes contra o corpo inerte de Amâncio, que dormia, justifica-se. Seja uma "memória genética", de um pai muito violento, seja como resposta aos abusos e violências sofridas pelo próprio Janjão nas mãos desse pai.
“Coqueiro estudava-o de socapa, a seguir-lhe os gestos, a fariscar-lhe as intenções. Dos quatro era o único que não estava tonto: seus olhos, pequenos e de cor duvidosa, conservavam a mesma penetração e a mesma fixidez incisiva de ave de rapina; sua boca estreita, bem guarnecida e quase sem lábios, tinha o mesmo riso arqueado, mal seguro e frio, de quem escuta e observa."