Francesa e viúva duas vezes, Madame Brizard era uma senhora de 50 anos, com três filhos, sendo que dua mais velha era bem casada e a do meio, viúva.
“Estava ainda bem disposta, apesar da idade. Gorda, mas elegante e com uns vestígios assaz pronunciados de antigas formosura, .Tinha os olhos azuis e os cabelos pretos, no tipo peculiar ao meio-dia da França. Carne opulenta e quadril vigoroso.
Notava-se-lhe a boca, com um desses lábios superiores que formam como que duas camadas; o que aliás não obstava a que Mme. Brizard tivesse um sorriso gracioso, e ainda tirasse partido da brancura privilegiada de seus dentes. “
Essa personagem se destaca por sua perspicácia e espírito pragmático com que planeja e executa seus planos interesseiros. Por ter mais experiência de vida, ela parece ser capaz de antecipar certas reações de Amâncio e busca manipulá-lo para jogá-lo nos braços de Amélia.
Coqueiro e Brizard se conheceram quando ele e a irmã foram morar na casa de pensão da francesa, que começou a nutrir uma espécie de carinho quase maternal pelo rapaz. Comovida porque Coqueiro precisou abandonar os estudos para poder sustentar sua irmã, e sabendo que os órfãos haviam herdado uma boa casa que estava alugada, logo ela traçou um plano pragmático e bem sucedido: propôs que Coqueiro se casasse com ela: juntos, eles tornariam a casa herdada na nova pensão de madame, que injetaria dinheiro na reforma e adequação. Com isso, o rapaz poderia finalmente voltar para a faculdade e sua irmã seria bem cuidada.
“Mme. Brizard era muito mais velha do que ele, mas, talvez, por isso mesmo, fosse a esposa que melhor lhe convinha.”
“- Uma vez casados, ressuscitariam a antiga casa de pensão. Ela dispunha de algum dinheiro; o outro dispunha de um prédio: - era restaurá-lo e dar começo à vida! Coqueiro abandonaria o emprego e voltava de novo aos estudos;” ela encarregava-se da gerência da casa e, nesse ponto, deitando de parte a modéstia, supunha-se mais habilitada que ninguém. “